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Cisto no Ovário em São Paulo

A maioria dos cistos de ovário não precisa de cirurgia. Quando precisa, o objetivo técnico é retirar o cisto e preservar o ovário, e essa decisão é conversada antes, não dentro da sala.

7 hospitais em São Paulo Equipe especializada Atendimento por credenciamento 14 min de leitura

O que é um cisto de ovário

O ovário trabalha por ciclos. Todo mês ele monta um folículo, uma bolsa com líquido que carrega o óvulo, e esse folículo se rompe na ovulação. Quando ele não rompe, ou quando a estrutura que sobra depois da ovulação retém líquido, forma-se um cisto funcional. Ele nasce do funcionamento normal e some sozinho na maioria das vezes.

Sabemos que a palavra "cisto" no laudo assusta, e sabemos que o medo que chega ao consultório quase nunca é o de operar. É o de acordar sem o ovário, com a fertilidade decidida por outra pessoa enquanto você dormia.

Em 90 segundos: as palavras do laudo traduzidas, e por que a categoria de risco importa mais que o tamanho.

20,2%das massas benignas sumiram sozinhas em 2 anos de acompanhamento
0,4%de torção no mesmo período
< 1%de malignidade quando a imagem é de aspecto benigno

Os tipos, e o que muda em cada um

Os tipos de cisto de ovário
TipoO que éSome sozinho?
FuncionalNasce do folículo que não rompeu ou da estrutura pós-ovulaçãoSim, em geral em 1 ou 2 ciclos
EndometriomaO cisto da endometriose: se alimenta do sangramento repetidoNão
Teratoma maduro (dermoide)Contém tecidos que se formaram ali e não se dissolvemNão
CistadenomaTumor benigno que produz o próprio líquidoNão

Os três últimos não regridem com anticoncepcional nem com o tempo, e mesmo assim nenhum deles é, pelo simples fato de existir, uma indicação de cirurgia. O que decide não é o rótulo do cisto nem o tamanho isolado: é a morfologia dele na ultrassonografia, somada aos sintomas e à fase de vida em que você está.

Quando some sozinho

Muitos cistos desaparecem sem tratamento. No maior estudo prospectivo sobre o tema, 1.919 mulheres com massa nova classificada como benigna ao ultrassom foram acompanhadas sem cirurgia. Em dois anos, 20,2% das massas sumiram sozinhas. No mesmo período, a torção apareceu em 0,4% dos casos e a ruptura em 0,2%.

Quando dá para acompanhar, e por quanto tempo
QuadroConduta habitualHorizonte
Cisto simples até 3 cm em quem menstruaAchado esperado, sem controle específicoNenhum
Cisto simples maior, paredes finas, sem parte sólidaRepetir ultrassom em 6 a 12 semanasAlta se sumir ou reduzir
Aspecto típico de dermoide ou endometrioma, sem sintomaControle por imagem em intervalos definidosAnos, enquanto estável
Lesão com parte sólida ou vascularização suspeitaSai do acompanhamentoSem espera
Dor que não passa, atribuída ao cistoA cirurgia entra pelo sintomaSem espera

Acompanhar é uma conduta ativa, com data marcada. E observar não é abandonar.

Quem escolhe acompanhar sai da consulta com a data do próximo exame e com a lista de sinais que antecipam o retorno

O acompanhamento é feito com ultrassonografia transvaginal, de preferência entre o quinto e o décimo dia do ciclo, quando o ovário está mais silencioso. O mesmo serviço e, quando possível, o mesmo examinador ajudam, porque o que interessa é a comparação entre exames, não o valor isolado de um deles. Guarde as imagens, e não apenas o laudo.

Acompanhar não impõe repouso, dieta nem afastamento. Você mantém exercício, trabalho e vida sexual. Mas procure pronto-socorro no mesmo momento se houver dor pélvica súbita e forte de um lado, com náusea ou vômito. Pode ser torção.

Entendendo o laudo do ultrassom

O laudo chega antes da consulta, quase sempre pelo celular, e a leitura solitária de palavras como "projeção papilar" e "componente sólido" produz uma noite ruim. O vocabulário abaixo é o do seu laudo.

Duas coisas importam mais que todas as outras nesse papel. A primeira é a morfologia: como a lesão é feita por dentro. A segunda é a categoria de risco, um número de 0 a 5 que já carrega uma conduta proposta. Tamanho, sozinho, não classifica nada.

As palavras do laudo, traduzidas
O que está escritoO que significa
AnecoicoPreto na imagem: líquido puro, sem nada dentro. Sinal tranquilizador
UnilocularUma única câmara, sem divisórias internas
MultilocularVárias câmaras separadas por septos, como bolhas grudadas
SeptoDivisória interna. Importa se é fina e lisa ou espessa e irregular
Componente sólidoTecido, não líquido. É o achado que mais pesa na classificação
Projeção papilarSaliência de tecido que cresce para dentro da lesão. Quatro ou mais é critério de suspeita
Sombra acústicaCostuma indicar gordura ou cálcio, comum no dermoide. É critério de benignidade
Conteúdo espesso, vidro foscoPadrão frequente do endometrioma
Color scoreQuanta circulação a lesão tem, de 1 (ausente) a 4 (intensa)
Líquido livre em fundo de sacoPequena quantidade é fisiológica

A escala de risco, de 0 a 5

A classificação de risco no laudo
CategoriaLeituraConduta habitual
1Ovário normal, com folículo ou corpo lúteoNada a fazer
2Quase certamente benignoAcompanhamento por imagem ou alta
3Risco baixoSeguimento por ultrassom
4Risco intermediário: 10% a menos de 50%Ressonância, avaliação especializada ou cirurgia
5Risco alto: 50% ou maisPlanejamento com ginecologista oncológico desde o início

O laudo é o começo da conversa, não o fim. Um laudo antigo que descreve a mesma lesão, do mesmo tamanho, três anos atrás, vale mais do que qualquer marcador de sangue. Estabilidade é informação.

É por isso que pedimos as imagens, e não apenas os laudos

O medo do câncer

Sabemos que essa é a pergunta que você digitou de madrugada,

Sim, um cisto de ovário pode ser câncer. É incomum, e o quanto é incomum depende quase inteiramente de como a lesão aparece na ultrassonografia. Quando a imagem é de aspecto benigno, o risco fica na casa de menos de 1%. Quando a imagem tem achados de suspeita, o risco sobe de forma acentuada, e ainda assim a maioria dessas lesões acaba sendo benigna quando examinada ao microscópio.

Uma informação que muda o enquadramento: o câncer de ovário não nasce de um cisto comum que "virou" maligno com o tempo. A maior parte dos carcinomas de alto grau se origina na trompa, na porção próxima ao ovário, e chega ao ovário depois.

Categoria alta não é diagnóstico

  • De 219 lesões classificadas como categoria 4 ou 5, 135 eram benignas e 84 malignas
  • Quase metade das benignas eram cistadenomas, tumores benignos que simplesmente têm componente sólido
  • A maioria das mulheres que recebe um desses números não tem câncer

Categoria baixa não é garantia

  • Na categoria 2, o risco é de menos de 1%
  • No mesmo estudo, 1 lesão maligna em 157 foi encontrada nessa categoria
  • Um por cento não é zero, e é por isso que acompanhar tem data, e não é o mesmo que esquecer

O que reduz a incerteza, e o que não reduz

Reduz: repetir o ultrassom com intervalo definido, porque o comportamento ao longo do tempo informa mais do que uma foto isolada. Complementar com ressonância quando a lesão fica indeterminada. E, quando há indicação cirúrgica, planejar a cirurgia com a equipe certa desde o começo. A primeira operação é a que define o caminho quando o diagnóstico se confirma.

Não reduz: o CA-125 pedido isoladamente. Ele sobe em endometriose, mioma, infecção pélvica, gravidez e na própria menstruação. Um valor alterado isolado, em mulher que menstrua, gera mais ansiedade e mais cirurgia do que diagnóstico.

E há um ponto que contraria o marketing de check-up: rastrear câncer de ovário na população geral não salva vidas. Um ensaio randomizado que acompanhou 202.562 mulheres por uma mediana de 16,3 anos aumentou a detecção em estágio inicial e, mesmo assim, não reduziu significativamente a mortalidade. Isso não vale para quem tem história familiar relevante ou mutação conhecida, situação que segue outra via de acompanhamento.

Quando precisa operar

A maioria dos cistos de ovário não precisa de cirurgia. Quando a cirurgia é indicada, o objetivo técnico é retirar o cisto e deixar o ovário.

Quando a cirurgia é indicada
Situação na imagem e na clínicaConduta habitual
Cisto simples, paredes finas, sem parte sólida, na idade reprodutivaObservação com ultrassom
Aparência clássica de dermoide ou endometrioma, sem sintoma, estávelObservação, com intervalos definidos
Cisto que cresce em controles sucessivos, ou muda de aspectoReavaliação e, conforme o caso, cirurgia
Dor pélvica persistente atribuída ao cistoA cirurgia entra em discussão pelo sintoma
Lesão com componente sólido ou vascularização suspeitaCirurgia, com estadiamento por imagem antes
Torção: dor súbita, forte, com náusea e vômitoUrgência cirúrgica

O que saiu da lista de indicações foi o tamanho como critério solitário. "Cisto de 5 cm" não é, por si, indicação de cirurgia.

Um cisto simples de 5 cm em mulher que menstrua tem outra conduta que uma lesão de 5 cm com parte sólida depois da menopausa

Fertilidade e reserva ovariana

Reserva ovariana é a quantidade de folículos que ainda existe nos seus ovários. Essa reserva não se repõe.

Um cisto de ovário não é uma bola solta dentro de um órgão oco. A parede dele está colada ao tecido ovariano, e o tecido que faz fronteira com essa parede é exatamente onde ficam os folículos pequenos. Quando retiramos a cápsula do cisto, sai com ela uma faixa de tecido saudável.

  1. 1

    A primeira forma de proteger a reserva é não operar

    Nem todo cisto precisa sair. Para quem tem endometrioma pequeno, sem dor e com reserva já baixa, a conduta expectante protege mais do que qualquer técnica.

  2. 2

    Medir antes, não depois

    Quando há desejo de gravidez, medimos a reserva antes, discutimos a possibilidade de congelar óvulos antes da cirurgia, e só então decidimos a técnica. Reserva medida depois da cirurgia já não tem com o que ser comparada.

  3. 3

    A técnica de hemostasia importa

    O leito de onde o cisto saiu sangra, e é preciso fechá-lo. A cauterização elétrica propaga calor pelo tecido vizinho; os pontos de sutura e os selantes poupam o tecido em volta. Metanálise brasileira de 12 ensaios recomenda a sutura.

Duas ressalvas: a certeza da evidência varia entre as comparações, e quase todos esses estudos mediram hormônio, não gravidez. A técnica que preserva mais reserva ainda não foi demonstrada como a que gera mais nascimentos. Por isso a escolha continua sendo individualizada, e não uma regra fixa.

Como é a cirurgia

A via de escolha é a videolaparoscopia: três a quatro incisões de poucos milímetros, câmera, anestesia geral. Abrimos a cápsula do ovário, encontramos o plano entre a parede do cisto e o tecido ovariano saudável, e retiramos apenas o cisto. Dentro de um saco próprio, para evitar que o conteúdo se espalhe na cavidade. O ovário é então reconstruído.

Cistectomia e ooforectomia não são a mesma coisa

A retirada do ovário inteiro é uma decisão específica, e não o desfecho natural de uma cirurgia de cisto. Ela entra em cena quando não existe tecido ovariano viável a preservar, quando há suspeita de malignidade que contraindica abrir a lesão, ou quando a própria paciente, já fora da idade reprodutiva e depois de conversar, opta por isso. Nenhuma dessas hipóteses se decide sozinha dentro da sala.

Pergunte, por escrito no termo de consentimento, o que está autorizado e o que não está. A conversa antes da anestesia é o que garante que a decisão continue sua.

Levem isso para qualquer consulta, com a nossa equipe ou com outra

Na torção do ovário a orientação também mudou: a conduta atual é desfazer a torção e preservar o ovário, mesmo quando ele parece escuro e sem circulação no momento da cirurgia, porque a recuperação funcional depois é frequente. Retirar por causa do aspecto é uma conduta que a literatura recente não apoia.

Riscos que precisam estar ditos antes: sangramento, infecção, lesão de órgão vizinho, aderências, necessidade de conversão para cirurgia aberta e recidiva do cisto.

Recuperação

Recuperação após a cirurgia
MarcoO que esperar após cistectomia por videolaparoscopia
InternaçãoEm geral do mesmo dia ou de uma noite
DorMaior nas primeiras 48 horas, inclusive no ombro, pelo gás usado na cirurgia
CaminharNo mesmo dia, e é o que reduz risco de trombose
Trabalho sem esforço físicoCostuma ser retomado em 1 a 2 semanas
Peso, academia e impactoLiberados de forma progressiva, conforme avaliação
MenstruaçãoPode vir fora do padrão nos primeiros ciclos
Resultado do anatomopatológicoDiscutido em consulta, é ele que fecha o diagnóstico

Quando há preocupação com fertilidade, a remedida do hormônio antimülleriano costuma ser pedida a partir de 3 meses: parte da queda logo após a cirurgia é transitória, e há recuperação parcial nos meses seguintes.

Onde operamos

Atendemos por credenciamento médico nestes sete hospitais:

  • Hospital Samaritano Paulista
  • Hospital Samaritano Higienópolis
  • Hospital Blanc
  • Hospital Leforte Liberdade
  • Hospital São Luiz Alphaville
  • Hospital São Luiz Morumbi
  • Hospital Alvorada

Atendemos nestes hospitais por credenciamento médico. A cobertura do seu atendimento depende do seu contrato com a operadora, e deve ser confirmada diretamente com ela.

Como funciona com plano de saúde

A cistectomia ovariana por videolaparoscopia consta no rol de procedimentos da ANS e, havendo indicação médica, costuma ter cobertura. A autorização depende de cada contrato.

Nossa equipe emite relatório com justificativa clínica e código do procedimento, e acompanha o pedido até a resposta.

Dúvidas frequentes

Cisto no ovário de 5 cm é grande?

Tamanho sozinho não classifica. Um cisto simples de 5 cm em mulher que menstrua costuma ser acompanhado. A mesma medida com parte sólida, ou depois da menopausa, pede outra conduta.

A cirurgia de cisto tira o ovário inteiro?

O padrão é retirar o cisto e preservar o ovário. A retirada do ovário é uma decisão à parte, conversada antes e registrada no termo de consentimento.

Em quanto tempo um cisto funcional some?

Em geral em um ou dois ciclos, e por isso o controle costuma ser marcado depois de 6 a 12 semanas, e não na semana seguinte.

Anticoncepcional faz o cisto sumir?

A pílula não dissolve um cisto já formado. Ela pode reduzir a formação de novos cistos funcionais ao suprimir a ovulação, e essa é uma indicação diferente.

Meu laudo veio categoria 4. Já posso considerar que é câncer?

Não. Nessa faixa o risco é de 10% a menos de 50%, e em série recente a maioria das lesões classificadas como 4 ou 5 era benigna ao exame final.

CA-125 alterado significa câncer?

Não. Ele se eleva em várias condições benignas. Isolado, em mulher que menstrua, tem pouco valor diagnóstico.

Existe exame para detectar câncer de ovário cedo?

Para a população geral, não existe rastreamento que reduza mortalidade. Para mulheres com história familiar ou mutação conhecida, a conduta é outra e se define em consulta.

Preciso operar para engravidar?

Nem sempre. Em endometrioma pequeno e sem dor, operar pode custar reserva ovariana sem ganho reprodutivo.

Se o cisto não some, é porque é câncer?

Não. A maioria dos cistos que persistem é benigna. Estabilidade prolongada em lesão de aspecto benigno costuma permitir espaçar os controles.

· por Dra. Vanessa M. Sargaço

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação individual.